Voltar

Roteiro compartilhado para educar para a cidadania global

10 de novembro de 2021 Ouvir o texto

O webinário que marcou o 12º e último encontro do programa Conversas sobre Educação para uma Cidadania Global Significativa teve como tema central “A educação para Cidadania Global como vetor de transformação da escola”.

O evento contou com a participação da diretora global da Fundação SM, Mayte Ortiz, de Augusto Ibáñez, diretor de Projetos Educacionais Especiais do Grupo SM, e de Cecilia Espinosa, diretora da Fundação SM México. Os três fizeram um panorama da trajetória do programa ao longo do ano e as maneiras como a Cidadania Global pode impactar e apoiar educadores na transformação dentro e fora da sala de aula.

“O principal objetivo dessas ‘conversas sobre educação para uma cidadania global significativa’ foi criar, conjuntamente, um conceito de cidadania global em diálogo com especialistas e professores. Esses encontros reuniram mais de 4 mil pessoas e possibilitaram muita troca de conhecimento”, conta Mayte Ortiz.

A crise provocada pela pandemia de COVID-19 expôs as lacunas educacionais anteriormente existentes que foram exacerbadas nesse tempo de pandemia e, para Augusto Ibáñez, deixou três aprendizados:

  • Fragilidade: somos seres frágeis e precisamos de cuidados. Impõe-se o paradigma do cuidado.
  • Existem males globais que não podem ser resolvidos com remédios locais.
  • É preciso saber antecipar-se, ou seja, é urgente que uma educação com uma visão mais global seja cada vez mais aplicada.

Neste contexto, fica claro que a escola só pode ser transformada a partir de dentro.

Principais conclusões do programa Conversas sobre Cidadania Global

  1. A cidadania global é um conceito complexo, controverso e em construção. Cabe à escola acabar de defini-la. A cidadania global será o que a escola quiser que ela seja. Na Fundação SM, optou-se pela primazia na concepção da cidadania global a partir do paradigma do cuidado.
  2. O propósito da cidadania global é desenvolver uma geração de jovens competentes, criativos, capazes de identificar desafios e agir colaborativamente sobre eles para conseguir um mundo mais fraterno, inclusivo, justo e sustentável. Em outras palavras, formar uma geração que cuida.
  3. Dentre as competências globais que esta geração em formação deve ter, destaca-se a orientação para a ação como a principal, bem como a capacidade de investigar e compreender a realidade, a competência intercultural e a capacidade de adotar perspectivas, a competência democrática e de cidadania digital, uma sólida estrutura de hábitos e virtudes (a educação do caráter), a competência da compreensão disciplinar e interdisciplinar e a digital, a competência comunicativa e colaborativa e a competência cognitiva e metacognitiva.
  4. Os pilares desta educação para a cidadania global serão os saberes e as competências globais, a ética do cuidado (a cidadania) e a escola como um sistema relacional. Nesta combinação de pilares há uma clara predominância da ética do cuidado, entendida como uma ecologia íntegra, com cuidado com as pessoas, com o entorno em que vivemos e consigo mesmo.
  5. É preciso mais metas do que métodos. Não há uma metodologia válida, mas há metodologias ativas mais adequadas, sempre centradas no aluno. Tais metodologias devem respeitar alguns critérios básicos: pensamento crítico, perspectiva ecossocial, comunicação, colaboração, criatividade, aprendizado estruturado sobre contextos reais, pedagogia da participação e do debate, e avaliação como trajetória de crescimento pessoal.
  6. A importância da tecnologia para indagar, personalizar, criar, colaborar e incluir. A tecnologia não muda a prática educacional, mas amplia as possibilidades.
  7. Ninguém deve ser deixado para trás. A educação inclusiva é a chave para a educação para a cidadania global.
  8. Igualmente, nenhum professor deve ser deixado para trás. É preciso evitar a polarização educacional, pois entre o ensino tradicional e o progressista há nuances que não devem ser abandonadas.
  9. Educar a partir de uma perspectiva intercultural e de gênero, que recupere os invisíveis. É preciso descobrir as figuras ocultas em nossas salas de aula.
  10. A educação para a cidadania global deve ser uma alavanca de transformação: Transforma o indivíduo como agente de mudança; transforma a sociedade ao contribuir para um mundo mais justo e sustentável; e transforma a escola ao torná-la um foco de aprendizado para seu entorno, incluindo também a educação não-formal.

Ações Fundação SM além dos webinários

Ao longo dos 12 webinários, a Fundação SM realizou uma série de ações que serviram como complementação aos temas abordados durante os seminários.

  • A capacitação e o acompanhamento de um grupo de 50 professores, educadores líderes, de dez países da América Latina que, após um período de capacitação e acompanhamento tutorial, realizaram uma prática, modelando estratégias educacionais e desenvolvendo-as em suas salas de aula.
  • Trabalhamos com os jovens, os destinatários finais da capacitação, pois é preciso dar-lhes voz, conhecer a opinião deles, sua visão e o que podem contribuir para a construção da cidadania global.
  • A necessidade de continuar unindo forças leva a buscar e estabelecer alianças e estratégias com outras entidades e organizações educacionais para construir conjuntamente a cidadania global. Uma das parcerias mais importantes até o momento foi o acordo com a Unesco para publicar o relatório Os futuros da educação.

Cecilia Espinosa explicou que, nos próximos meses, a Fundação SM vai sistematizar as informações geradas as partir do programa Conversas sobre Educação para uma Cidadania Global e publicar um relatório. “Esta publicação conterá reflexões e conclusões dos 12 webinars realizados, assim como as opiniões dos participantes, refletidas nas pesquisas que foram completando em cada uma das conversas. Também serão incluídas práticas educacionais realizadas pelos educadores líderes em suas salas de aula, que acompanhamos ao longo do curso”, informa Cecilia.

Em breve esse relatório estará acessível para todo o mundo, de forma gratuita, no site da Fundação SM.

Outra ação para o futuro neste caminho será a celebração do 15º Seminário Internacional de Educação Integral (SIEI) em março de 2022, que será um espaço de diálogo e reflexão dedicado à educação para a cidadania global. Terá um formato híbrido com sessões on-line e atividades presenciais em cada um dos países ibero-americanos onde a Fundação SM está presente. E no mesmo SIEI, haverá um momento especial para o relatório da Unesco Os futuros da educação.

Perdeu os seminários anteriores? Neste link é possível rever todos os encontros do programa Conversas sobre Educação para uma Cidadania Global Significativa, da Fundação SM.

Conheça os 18 jovens que participarão do projeto Aula GO

Matéria 23/11/2021

Durante a experiência, os jovens receberão formação sobre competências globais e específicas dada por grandes profissionais do setor. Em seguida a equipe desenvolverá um projeto para promover uma mudança na educação e nos ambientes educacionais de uma escola de educação infantil. Entre os 18 participantes, quatro são brasileiros.

Saiba mais

Fundação SM doa 2,1 mil livros para Leve História

Matéria 18/11/2021

O Leve História é uma iniciativa de voluntariado que promove encontros em torno da literatura, fazendo a ponte para que famílias com um acervo literário doem livros para famílias com acesso mais restrito. A Fundação SM aderiu ao movimento e, em conjunto com os colaboradores da SM Educação, arrecadou livros que serão distribuídos para crianças de escolas públicas da cidade de São Paulo.

Saiba mais

A educação não-formal e suas contribuições para a cidadania global

Matéria 04/11/2021

A educação não-formal tem se tornado um importante complemento da educação formal e institucionalizada, sendo um processo educacional voluntário, com uma clara intenção de aprendizado muito mais flexível e adaptável.

Saiba mais

Fundação SM apresenta o Aula Go

Matéria 14/10/2021

18 jovens de países ibero-americanos formarão uma equipe que elaborará uma proposta de transformação para uma escola

Saiba mais

Pesquisa revela pluralidades da juventude brasileira

Matéria 08/10/2021

Estudo entrevistou 1.740 jovens, de 15 a 29 anos, em todas as regiões do país. As conclusões revelam que embora tenham mais escolaridade que seus pais, os jovens temem não ter trabalho no futuro, são preocupados com o meio ambiente e desejam uma sociedade multicultural.

Saiba mais

Ver mais notícias