16 de novembro de 2020 Ouvir o texto
A Fundação SM inaugurou seu programa Conversas sobre Educação para uma Cidadania Global Significativa no final de outubro com a realização do webinário Cidadania global: uma visão plural e transformadora da sociedade e da escola, do qual participaram mais de quatrocentas pessoas.
O objetivo desses encontros é transformar a reflexão em ideias práticas, ideias que influenciem comportamentos e atitudes orientadas ao bem comum, para conseguir um mundo mais humano e sustentável.
Cem por cento dos que participaram da enquete considera que uma educação para a Cidadania global é necessária.
O que queremos dizer quando falamos de cidadania global?
O Relatório da Fundação SM sobre Cidadania Global (publicação disponível em dois volumes, ambos em espanhol) aborda a questão ecológica, as migrações e os refugiados, a situação das mulheres, assim como o problema das violências e a necessária construção da Paz.
O relatório ressalta a necessidade de formar uma Cidadania Global Ativa; crianças e jovens que se formem na escola como ativistas da Cidadania Global. Cidadãos ecologistas, internacionalistas, sociais e “glocais” – que partem dos assuntos locais para os globais – que se apropriem dos problemas do mundo todo.
O conceito de Cidadania Global Ativa está muito ligado à encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco; à necessidade de ter “um coração aberto ao mundo” (capítulo 4), que afirma que quando os conhecimentos mentais não passam pelo coração e, do coração à ação, significa que há um fracasso escolar.
Educar para a Cidadania Global
A educação é a pedra angular desta nova era; uma educação que deve ser pensada pelos próprios educadores; uma educação para aprender a ser e aprender a conhecer. E isso, como explica Mayor Zaragoza, significa ensinar a pesquisar, ou seja, desenvolver a “capacidade de pensar o que ninguém pensou antes”.
Os componentes básicos de uma educação para a cidadania global significativa são a competência global, a cultura do cuidado e a cultura relacional. Tudo isso é construído na escola através de uma pedagogia da participação, buscando compreender a realidade e aprendendo a influenciá-la.
A escola é a melhor instituição que temos para assegurar a educação como um bem comum universal.
Virtudes públicas para a Cidadania Global
Educar é formar a pessoa e extrair dela o que ela tem de melhor.
A ética das virtudes se refere à criação do caráter das pessoas, que as pessoas adquirem uma série de qualidades que criam a sua personalidade moral. Essa ética é a mais necessária para as sociedades liberais e de consumo, porque a sociedade do consumo não educa para superar o individualismo. As virtudes cívicas se desenvolvem melhor em “sociedades comunitárias” e muito pior nas denominadas pelo ultra liberalismo individualista.
Victoria Camps explica que as virtudes que hoje precisamos são:
Estes valores estão muito relacionados com a liberdade. A liberdade tem seus limites e estes são impostos pelo respeito ao próximo e a responsabilidade pelos nossos erros.
Quais são as expectativas do Ministério da Educação, Cultura e Esporte ao incluir a Cidadania Global na reforma Lei Orgânica da Educação, na Espanha?
Para encaixar a Cidadania Global em sala de aula, devemos focar em uma educação transversal, não apenas em um saber conceitual, mas sim um saber prático que deve levar a uma mobilização da pessoa.
A escola não pode enfrentar essa tarefa sozinha, uma educação em Cidadania Global é um aspecto crucial no nosso mundo e, portanto, deve ser crucial abordá-la para todos.
O programa Conversas sobre Educação para uma Cidadania Global Significativa é formado por um conjunto de oficinas de reflexão para construir juntos uma educação mais global, com uma abordagem solidária e humanista baseada no respeito às pessoas e à natureza e criados com escolas e especialistas, porque a educação do futuro deve ser pensada pelos próprios educadores.
Vamos continuar pensando juntos a educação do futuro
O objetivo desses encontros é transformar a reflexão em ideias práticas, ideias que influenciem comportamentos e atitudes orientadas ao bem comum, para conseguir um mundo mais humano e sustentável.
Por isso, além dos palestrantes, os participantes também puderam se envolver compartilhando suas reflexões e propostas em um ambiente virtual específico para isso. Este espaço continua aberto, portanto, se não deu tempo para responder a enquete, você pode respondê-la aqui (em espanhol) para levarmos em conta as suas contribuições.
O encontro foi moderado pela diretora global da Fundação SM, Mayte Ortiz, e contou com a presença de Rafael Díaz Salazar, professor de Sociologia e Relações Internacionais da Universidade Complutense e coordenador do Relatório Cidadania Global; Federico Mayor Zaragoza, presidente da Fundação Cultura de Paz; Augusto Ibáñez, diretor de projetos educativos especiais, SM; Victoria Camps; Catedrática emérita de Filosofia Moral e Política da Universidade Autônoma de Barcelona; e Alejandro Tiana, secretário de Estado de Educação, governo da Espanha.
Agenda: Confira a programação completa dos próximos encontros
Assista ao webinário completo
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