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Juan Gedovius – Fantasia, símbolo, testemunho

18 de novembro de 2016 Ouvir o texto

O mexicano Juan Gedovius sempre gostou de desenhar duendes, dragões e monstros. Porém, quase nunca podia dar vida a esses seres quando ilustrava as histórias de outros autores. Até que um dia, decidiu escrever suas próprias histórias: “senti que não tinha que pedir permissão a ninguém e comecei a criar os meus livros”.

Isso não significa que o escritor e ilustrador tenha deixado de colaborar com outros autores. “Ilustrar textos de outras pessoas é muito interessante; é como entrar na cabeça dos outros, em situações que não te ocorreram de outra maneira. Não gosto da ideia de deixar de fazer isso, pois me alimenta de muitas formas”, conta o autor de títulos como El más gigante o encimosaurio, da Edições SM.

Para ele, criar os próprios livros pode ser desconfortável, “uma vez que você se torna juiz de si mesmo. Porém, tem um sabor agridoce que, no final, é muito enriquecedor”. Uma terceira dinâmica de trabalho seria a coautoria: “São várias pessoas mexendo no mesmo ensopado e saem coisas muito saborosas”.

Publicamos, hoje (18), último dia do III Congresso Ibero-Americano de Língua e Literatura Infantil e Juvenil, essa entrevista em que Juan Gedovius fala sobre sua experiência com a criação de monstros e de histórias para crianças.

Leia, a seguir, a entrevista na íntegra.

 

Como e quando você começou a ilustrar e escrever literatura para crianças e jovens?

Juan Gedovius – Desenho e escrevo desde sempre. Acho que foi algo natural. Nunca disse: “serei ilustrador ou escritor de livros infantis”. Isso não estava no horizonte. No entanto, estava no momento e no lugar certo para isso acontecer. Começou como um trabalhinho extra. Fiz a ilustração de um livro, gostaram e me deram outra para fazer. Não pensava que seria um ofício. De repente, já tinha cinco ou seis livros e diziam “senhor autor”. Porém, para mim, foi algo muito natural, sobretudo com a ilustração.

O que significa para você escrever e ilustrar para o público infantojuvenil?

Juan Gedovius – Não gosto de pensar nesses termos. Acho que não deveria existir uma cultura para crianças e outra para adultos. O que me parece é que existem certas referências de vida de acordo com o tempo em que estamos neste planeta e o lugar. Não é o mesmo falar a uma criança de dez anos que está em determinada parte do mundo e falar com uma de outra parte. Mudam as necessidades, o entorno, as formas de amadurecer. Os mesmos leitores encontram a leitura em momentos diversos e se tornam melhores ou piores leitores, dependendo de muitos fatores. Também existem leitores iniciantes de 70 anos. Me parece pouco útil colocar certos rótulos, embora sejam necessários para organizar os livros nas prateleiras. Mas é muito relativo. Aposto na inteligência. Minha experiência tem a ver mais com isso e com o prazer de um texto que te provoca, que te desperta algo.

Você lembra que livros te inspiraram quando era criança ou adolescente? O que encontrou neles de valioso?

Juan Gedovius – Certamente, Roald Dahl. Foi a primeira experiência que tive de uma leitura mais consciente, ainda que tardia. Os que nasceram em determinados momentos são herdeiros de uma cultura não leitora. Não existiam tantas opções. Não era comum. A leitura era algo incômodo, escolar, feio. No entanto, Dahl talvez tenha sido o primeiro autor a me impactar, a mexer com a minha cabeça.

O CILELIJ tem três eixos temáticos transversais: o testemunhal, o fantástico e o simbólico. Qual dos três você considera que está mais presente em sua obra para crianças e jovens? De que forma?

Juan Gedovius – Acho que todos. Não existiria fantasia se não tivesse um simbolismo, se não tivesse algum tipo de metáfora. Um dragão fantástico não seria tão maravilhoso se não tivesse uma metáfora relacionada à sabedoria, maldade ou aventura. Os símbolos são sempre importantes, não existem temas novos. Retornamos sempre a nossas ideias ou conceitos sobre determinadas coisas. Falamos sobre o que somos, o que temos forjado todos os dias, o que nos ensinaram, mas também sob um ponto de vista, e aí entra a fantasia, o símbolo, o testemunho, é uma combinação. Essas são coisas que precisam andar de mãos dadas, do contrário, não funcionam. Você não pode criar um personagem do nada apenas porque sim. Se o fizer, ele fica pouco substancial e, automaticamente, qualquer leitor se entedia.

 

Entrevista publicada originalmente no site da Edições SM México

Tradução: Priscila Fernandes

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