Voltar

María Elvira Charria – Os bastidores do III CILELIJ

11 de novembro de 2016 Ouvir o texto

Atrás dos escritores, ilustradores, editores e promotores, que participarão do III Congresso Ibero-Americano de Língua e Literatura Infantil e Juvenil – CILELIJ, existe um grupo de especialistas do mundo todo, que se encarregou de desenhar o programa acadêmico e de selecionar as pessoas mais adequadas para cada atividade do evento.

Presidente do Comitê Acadêmico do III CILELIJ, a colombiana María Elvira Charria tem uma trajetória vinculada a escolas, bibliotecas e livros para crianças e jovens, em toda a América Latina. Entre outros projetos, Charria assessorou o Seminário Internacional de Fomento à Leitura, da Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil – FILIJ, e foi Diretora de Bibliotecas Escolares da Secretaria de Educação Pública (SEP), no México.

Pouco antes da realização do congresso, pedimos a Charria que compartilhasse sua experiência como Presidente do Comitê Acadêmico do CILELIJ, composto ainda por Pedro Cerrillo, Beatriz Helena Robledo, Gabriela Rodella de Oliveira, Antonio Orlando Rodríguez, Teresa Tellechea e Elisa Bonilla. Leia a entrevista a seguir.

 

Em que consistiu o seu trabalho como Presidente do Comitê Acadêmico do CILELIJ?

María Charria – Não foi difícil, porque os membros do Comitê têm sido generosos, dedicados, e têm muito conhecimento sobre a literatura infantojuvenil ibero-americana. A primeira coisa que fizemos foi acordar uma estrutura e eixos temáticos (o testemunhal, o simbólico e o fantástico). Para os temas dos colóquios, recorremos às avaliações das edições anteriores. Depois, pensamos em quem poderia executar cada uma das tarefas.

Como foram escolhidos os participantes do congresso? 

María Charria – Queríamos ter gente muito experiente, mas também gente jovem que começa a despontar, para enriquecer o diálogo. Outra coisa importante foi selecionar coordenadores de colóquios, que não só se dedicariam a mediar, mas que tivessem muita experiência no tema. Também buscamos uma maior representatividade dos países.

Na sua opinião, qual a importância de um congresso como o CILELIJ?

María Charria – É o único congresso ibero-americano especializado em literatura infantojuvenil. Nos dá a possibilidade de dialogar, de ter uma perspectiva do que já se fez e das tendências neste campo. Também é interessante que os profissionais da literatura infantojuvenil, ao se reunirem, fortaleçam laços e formem associações de trabalho e intercâmbio. E tem outra coisa: embora, nos anos 70, tenha tido início um clamor dos profissionais a UNESCO para fortalecer a presença da literatura infantojuvenil na educação e na cultura, a maioria dos governos atuais não está disposta a atender a demanda pela presença dos livros nas escolas.

Por que? 

María Charria – A primeira coisa é ser convencido sobre a importância dos livros nas bibliotecas, mas depois é preciso definir políticas, e isso custa dinheiro. Nesse sentido, é importante que se formem associações de autores, ilustradores e demais profissionais da área, pois para ser levado em conta pelo Estado é desejável que exista uma estrutura mais institucional.

Como se dá a entrada do livro digital no campo da literatura infantojuvenil?

María Charria – O livro digital veio e vai continuar, porém não substituirá o analógico. O que existe está longe de ser uma competição, ainda que, claro, existam jovens envolvidos com o tema. Esses produtos talvez até não se chamem livros; os escritores e ilustradores, em parceria com designers de softwares, serão os autores desses novos produtos.

Existe algum aspecto comum à literatura infantojuvenil ibero-americana para além dos idiomas?

María Charria – Talvez o fato de ter ocorrido uma explosão, e com as explosões vêm algumas coisas maravilhosas e outras menos. Creio que há uma grande força nas editoras independentes, que permanecem fiéis ao leitor. A grande indústria ainda compra as editoras de médio porte. Seus catálogos, que são válidos, não cobrem todas as possibilidades de interesses e necessidades dos leitores. Mas há uma nova geração de escritores, editores e livreiros independentes que buscam acompanhar, fielmente, os leitores. Isso é interessante e dá esperança.

A literatura infantojuvenil tem a mesma capacidade de atravessar fronteiras que a literatura de forma geral? 

María Charria – A questão da distribuição é muito difícil, tanto para a literatura infantojuvenil como para a literatura geral. Se você não está consagrado na Espanha, não circula. Existem muitos livros publicados no México que não vão para a Argentina e vice-versa. María Osorio, que fará o colóquio sobre políticas, diz que deveríamos pensar por que é mais fácil que os livros atravessem o oceano para chegar a nossos países do que cruzem as cordilheiras para circular pelo continente. Sobre a questão da distribuição, mais uma vez, as intervenções das pequenas editoras e livrarias precisam ser valorizadas, porque ajudam a distribuição destes selos na América Latina.

 

Entrevista publicada originalmente no site da Edições SM – México.

Tradução: Priscila Fernandes

Educação para a cidadania global como vetor de transformação da escola

Matéria 27/08/2021

O futuro das novas gerações só pode ser abordado a partir de uma comunidade unida por um forte tecido social. Nesse contexto, a educação deve ser uma responsabilidade compartilhada e deve ter um compromisso transformador.

Saiba mais

7º SIEI: O direito à Educação em tempos de pandemia

Matéria 06/08/2021

Dividido em três encontros online, com debates na parte da manhã e oficinas à tarde, o seminário coloca em diálogo profissionais de referência das áreas da Educação, Saúde e Desenvolvimento Social para debaterem sobre a atuação intersetorial no enfrentamento dos impactos da pandemia nas comunidades escolares, sobre políticas públicas e a garantia da aprendizagem e sobre o clima escolar e a saúde emocional de profissionais, estudantes e famílias em contexto de crise.

Saiba mais

Gerald Vergara vence 12º Catálogo Ibero-Americano de ilustração

Matéria 28/07/2021

O ilustrador venezuelano Gerald José Espinoza Vergara foi o vencedor da 12ª edição do Catálogo Ibero-América Ilustra. Cinco ilustradoras brasileiras também terão seus trabalhos integrados na edição de 2021 do Catálogo.

Saiba mais

Geovany Hércules vence o Prêmio Barco a Vapor 2021

Matéria 26/07/2021

Obra do escritor e humorista Geovany Hércules retrata o dia a dia e os desafios de um grupo de jovens que vivem no Grajaú, na periferia de São Paulo.

Saiba mais

Novos Pontos Myra vão apoiar formação leitora em comunidade

Matéria 16/07/2021

Instituições de oito municípios se inscreveram para participar do processo seletivo de novos Pontos Myra, realizado por edital. Dessas, duas - uma de Goiás e outra da Bahia - foram selecionadas pela Fundação SM e Comunidade Educativa CEDAC, que estão juntas desde a criação do Myra.

Saiba mais

Ver mais notícias