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“Personalizar a aprendizagem significa dar voz aos aprendizes”, César Coll

24 de março de 2017 Ouvir o texto

O ato de aprender se transformou radicalmente no século XXI. Isto é o que o Catedrático da Universidade de Barcelona, César Coll, chama de a “nova ecologia da aprendizagem”, um cenário de mudanças profundas a respeito de onde, quando, com quem, de quem, como, o que e para que as pessoas aprendem.

“Os parâmetros que definem como os humanos aprendem não são os mesmos de dois séculos atrás, sobre os quais se construiu a lógica da escola”, explicou o Doutor em Psicologia Educativa e Catedrático da Universidade de Barcelona. Sua conferência, A personalização da aprendizagem escolar, inaugurou as atividades da segunda jornada do 10° Seminário Internacional de Educação Integral – SIEI, promovido pela Fundação SM, na primeira quinzena de março, na Cidade do México.

No cenário atual existem muitas dúvidas sobre como deve ser a educação, e sobre a capacidade da educação formal de atender às novas necessidades de aprendizagem das pessoas. “Existe uma distância cada vez maior entre o que vivem e como vivem os jovens e o que eles aprendem e como aprendem nas escolas”, explicou.

“Os meninos não sabem para que vão à escola”, disse Coll, que está convencido de que este desafio deve estar no centro das tentativas atuais de repensar a educação. Sua proposta é implementar a personalização da aprendizagem, uma vez que considera “uma resposta a uma necessidade urgente, inevitável, uma forma de conseguir que os alunos deem maior significado à aprendizagem que obtêm na escola”.

A personalização da aprendizagem está presente em muitas propostas pedagógicas centradas no aprendiz: não é uma invenção nova. Para Coll, sua incorporação em sala de aula não pressupõe apenas oferecer um ensino individualizado. Mas também, e acima de tudo, pressupõe que o aluno dê um valor pessoal e um significado à aprendizagem. E isto acontece, disse ele, quando o aprendizado se conecta com a história pessoal do aluno, seu presente ou seu futuro.

“Personalizar a aprendizagem significa dar voz aos aprendizes sobre o que eles aprendem”, explicou Coll. Isto não significa que os alunos vão dizer o que querem estudar, advertiu. Mas, os professores deveriam ouvir o que eles querem estudar, por que eles querem estudar, e ajudá-los a construir seus próprios interesses. “Ninguém nasce interessado, os interesses são frutos de uma construção”.

Coll compartilhou algumas práticas que os professores podem incorporar neste contexto, mas lembrou que não existe uma fórmula infalível e que a personalização é um processo com muitas propostas e métodos que permitem avançar. Neste sentido, devemos prestar atenção às Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), especialmente aos dispositivos que nos transformam em aprendizes o tempo todo.

“No âmbito da sociedade da informação e da nova ecologia da aprendizagem, o que está em questão não é se temos que avançar para a personalização da aprendizagem, mas como fazê-lo”, concluiu Coll. “As TICs estão na origem, mas, felizmente, também na solução, nos permitem conectar experiências de aprendizagem e criar redes”.

 

Entrevista publicada originalmente no site da Edições SM – México

Tradução: Priscila Fernandes

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