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Projeto vencedor do Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos vira política pública

15 de junho de 2021 Ouvir o texto

  • O projeto, liderado pela professora Gina Vieira, ganhou a primeira edição do Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos Óscar Arnulfo Romero em 2015, concedido pela Fundação SM e OEI.
  • A cidade de Brasília incluiu em sua legislação o “Projeto Mulheres Inspiradoras”, que promoverá o legado das mulheres na História por meio de projetos de leitura e escrita, assim como a formação de professores na matéria.
  • A convocatória para a IV edição do Prêmio de Direitos Humanos  está aberta até 31 de julho.

 

Em 2015, a primeira edição do Prêmio Ibero-americano de Educação em Direitos Humanos Óscar Arnulfo Romero, promovido pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI) e a Fundação SM, reconheceu o projeto Mulheres Inspiradoras, do Brasil, como a melhor iniciativa educacional em direitos humanos, entre as outras 17 que passaram para a fase ibero-americana do concurso. Hoje, as lições e princípios apresentados neste projeto, liderado pela professora Gina Vieira, do Centro de Ensino Fundamental 12, da cidade de Ceilândia, no Distrito Federal, serviram de base para a implementação de uma política pública educacional pioneira na cidade de Brasília.

Em maio, o Governo do Distrito Federal brasileiro publicou a Portaria Nº 256 de 2021, assinada pelo Secretário de Educação, Leandro Cruz, implementando o programa Mulheres Inspiradoras na rede de escolas e bibliotecas da cidade, cujo objetivo é promover a valorização do legado de mulheres e meninas nos planos de ação escolares da Rede Pública de Ensino da capital. O programa implementará projetos de leitura e escrita baseados em autores ou personagens históricas femininas do país e do mundo, abarcando as diferentes narrativas de mulheres negras, indígenas e periféricas, entre outras. Desta forma, inspirado no projeto da professora Gina Vieira, o programa visa fomentar o desenvolvimento de uma pedagogia comprometida com o aprendizado integral dos estudantes, centrada na educação para os direitos humanos e para a diversidade.

O projeto também prevê a oferta de um curso chamado Mulheres Inspiradoras, voltado aos professores do Distrito Federal, bem como a aquisição de um importante acervo literário escrito por mulheres para ser usado nas salas de aula. Com a implementação desta política na capital, espera-se que iniciativas semelhantes possam ser estendidas a outras regiões do país.

Para a professora Gina Vieira, gestora do projeto, o foco principal da iniciativa pedagógica foi “superar a representação da mulher como objeto, tão recorrente na grande mídia, por esta razão é necessário destacar outras representações femininas, dando visibilidade à biografia de grandes mulheres e suas conquistas”. Também enfatiza que é fundamental que alunos e alunas tenham outras referências femininas e ampliem seu repertório cultural; “daí o nome do projeto, Mulheres Inspiradoras”.

A OEI destaca a implementação deste importante programa na capital brasileira a partir de uma iniciativa piloto que nasceu nas salas de aula e foi reconhecida como a melhor da Ibero-América na primeira edição do prêmio. Uma boa prática educacional que, hoje transformada em política pública, está em consonância com a missão da organização de “fazer a cooperação realmente acontecer”.

Raphael Callou, Diretor e Chefe da Representação da Organização dos Estados Ibero-americanos no Brasil (OEI) aponta que “é uma grande satisfação contribuir para que temas e abordagens, como aqueles desenvolvidos no Projeto Mulheres Inspiradoras, possam ganhar dimensão e lastrear políticas públicas em maior escala, gerando efeitos estruturadores na política de garantia dos Direitos Humanos a partir da educação”.

“É uma grande alegria e honra para os organizadores de um prêmio que promove os Direitos Humanos ver um trabalho tão importante, potente e necessário para a nossa população recebendo um reconhecimento dessa dimensão. Que este seja o primeiro passo para que o Projeto Mulheres Inspiradoras seja replicado em outros municípios e, esperemos, se torne uma política pública nacional”, afirma Mariana Franco, gerente da Fundação SM.

 

A quarta edição do prêmio

Com mais de mil propostas recebidas em edições anteriores, o Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos Óscar Arnulfo Romero continua reconhecendo o trabalho das instituições que trabalham para promover a educação com foco nos direitos humanos. Neste momento, está aberta a chamada para sua quarta edição, que premiará iniciativas de 22 países ibero-americanos e que, na segunda fase, concederá um prêmio de 5 mil dólares às duas melhores iniciativas em duas categorias: escolas e organizações da sociedade civil.

O prazo para apresentação de candidaturas está aberto até 31 de julho de 2021.

Nesta edição, além dos projetos educacionais que apresentem abordagens focadas na construção da paz, na convivência ou contra a discriminação, entre outras, serão valorizadas iniciativas relacionadas com o direito à saúde e com o modo de enfrentar ou aliviar a situação pandêmica gerada pela COVID-19, contemplando aspectos como a segurança nas escolas ou a mitigação, prevenção e autocuidado em sala de aula.

Mais informações:

  • Prazo de inscrição: de 16 de março a 31 de julho de 2021
  • Publicação dos vencedores nacionais: entre 1º e 15 de outubro de 2021
  • Publicação dos vencedores Ibero-americanos: IV Seminário Internacional de Educação em Direitos Humanos (a ser realizado quando as circunstâncias o permitirem)
  • Inscrições: https://bit.ly/3ltL10A
  • Edital com o regulamento: neste link ou pelo WeTransfer

 

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