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Virada Educação – Ocupar para conhecer, conectar e transformar

27 de janeiro de 2017 Ouvir o texto

Com a proposta de ocupar a cidade com atividades que proponham uma reflexão sobre o potencial educador dos territórios, a Virada Educação vem ganhando cada vez mais consistência, espaços e públicos inspirados pela iniciativa. Fruto dos sonhos e do trabalho do coletivo Movimento Entusiasmo, a Virada Educação, que conta com o apoio da Fundação SM, acontece há três anos no centro de São Paulo, promovendo “articulações locais e inspirando reencantos de olhar para a educação”, como explica o jornalista André Gravatá, um dos idealizadores da Virada.

Em entrevista ao site da Fundação SM, Gravatá fala sobre os valores e objetivos da Virada Educação, sobre as conquistas, perspectivas e os rumos que a iniciativa vem tomando. Leia a seguir.

Quais são os valores que norteiam a Virada Educação?

André Gravatá – Há três pontos fundamentais: diversidade, território e continuidade. Porque reconhecer e celebrar a diversidade das pessoas é valorizar uma educação sensível e praticar poesia no cotidiano. Porque território é escola, praça, rua, entre outros pontos que conectam relações e possibilitam inúmeros aprendizados. Porque continuidade é essencial para realizarmos uma ação consistente.

Quais são os principais objetivos da Virada?

André Gravatá – Nossa intenção é realizar práticas que repensem a forma como a educação acontece na escola e fora dela. Almejamos inventar momentos de redescoberta do potencial educador das cidades. E insistimos que a aprendizagem seja vivida como um processo de acordado contato com a realidade, que gere espanto e entusiasmo inesperados, além de poesias. Publicamos um livro chamado Mistérios da Educação, que aborda exatamente nossa visão poética da educação nas cidades.

A ocupação do território empreendida pela Virada seria uma das etapas de constituição de uma cidade educadora?

André Gravatá – Ocupar o território com uma Virada Educação é uma maneira de mobilizar uma localidade para que nela se respire outras maneiras de aprender e se encantar. Não é, necessariamente, uma etapa de constituição de cidade educadora, mas pode ser um ótimo pretexto para que esse tema ganhe mais força coletiva num bairro, por exemplo.

A Virada realiza outras ações ao longo do ano, para além dos dias do evento?

André Gravatá – Para que os dias de atividades abertas e gratuitas da Virada aconteçam é necessária uma articulação local, que demanda a realização de vários encontros e experimentação de práticas ao longo de meses. Junto com as escolas do centro de São Paulo, já criamos cortejos pelas ruas e saídas de exploração do território, entre outras atividades que povoam os meses de composição da Virada. Registramos algumas dessas atividades em um curta-metragem, intitulado Inventolhar.

Atualmente, a Virada acontece em quais lugares do Brasil?

André Gravatá – Em 2016,  a Virada Educação aconteceu no centro de São Paulo, em Pindamonhangaba (SP), Caçapava (SP), Santos (SP), Porto Alegre (RS), Joinville (SC), Salvador (BA),  Lauro de Freitas (BA) e Ipatinga (MG). Apenas a Virada do centro de São Paulo foi organizada pelo Movimento Entusiasmo, todas as outras foram desenvolvidas por coletivos e instituições multiplicadoras dessa ação.

Quem pode implementar a Virada? E qual o processo necessário para isso?

André Gravatá – Para organizar uma Virada Educação é necessário, inicialmente, uma vontade forte de mobilizar o próprio território a partir da educação e da poesia. Em seguida, basta preencher um formulário com as intenções da Virada que a pessoa, coletivo ou instituição deseja organizar e, então, seguiremos em contato para afirmar ou não a consistência da solicitação. A maioria das pessoas que nos procurou até hoje, realmente se engajou na articulação dos territórios, então, aprendemos muito com outras Viradas.

Existe algum suporte para os grupos que desenvolvem a Virada em seus territórios?

André Gravatá – É um suporte bastante simples: realizamos conversas via skype, ou pessoalmente, para responder dúvidas ou colaborar em questões específicas, e compartilhamos materiais sobre a Virada Educação que acontece no centro de São Paulo, para deixar claro o propósito da Virada e nossa maneira de organizá-la.

Você consegue mensurar as transformações ocorridas nos territórios por intermédio da Virada?

André Gravatá – Ouvimos de alunos e educadores que ações do Entusiasmo deixaram marcas importantes nas suas histórias e uma diretora chegou a dizer que a Virada abriu caminhos que ela nunca mais quer fechar, como a possibilidade de convidar a comunidade local para ocupar criativamente a escola. Mas ainda estamos buscando maneiras mais precisas de ler essa mudança no território.

A Virada tem alguma relação com a Associação Internacional das Cidades Educadoras – AICE?

André Gravatá – Ainda não, quem sabe futuramente.

Quais os planos e perspectivas da Virada para os próximos anos?

André Gravatá – Nossa perspectiva é tornar a Virada Educação uma prática mais consistente e independente, que faça parte dos calendários, não de maneira burocrática, mas, sim, como uma ação coletiva de ocupação e valorização dos territórios. Que a Virada estimule mais e mais mudanças, na visão e prática de educação, no território do centro de São Paulo e em muitos outros pelo Brasil. Que a Virada colabore para existir mais território e poesia na educação.

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